Sobre intuição.

Tenho me interessado bastante por temos como dedução, indução e os seus irmãos menos conhecidos, que têm uma áura mística, mas que também se explicam cientificamente, a abdução e a intuição.

A Revista Superinteressante tem publicado artigos sobre a intuição. Um dos exemplos que é mais referido, em nosso país, sobre intuição, é o vídeo com o músico Júlio Rasec, do grupo Mamonas Assassina, em que, 12 horas antes do acidente fatal que os vitimou, refere ter tido um sonho com acidente aéreo.

Ontem, pesquisando rapidamente, pude acessar o relatório final da Aeronáutica sobre o acidente. Dentre suas considerações se pode verificar, por exemplo, que o acidente ocorreu após mais de 16 horas de atividade dos pilotos, sendo comum,  nas viagens que antecederam a esta, que os vôos não seguissem as rotas originalmente traçadas e que houvesse o excesso de jornada.

Ou seja é muito plausível que o músico, diante destas informações, as tivesse processado em seu cérebro, concluindo que seria, em alguma oportunidade, possível que este conjunto de situações conduzisse a um acidente aéreo, o que, coincidentemente, ocorreu naquela data.

Argumento de autoridade.

Carl Sagan em seu O Mundo Assombrado pelos Demônios, descreve um ótimo exemplo da falácia “argumento de autoridade”.

Conforme Sagan, na época da campanha da reeleição de Nixon, se asseverava que ele deveria ser reeleito porque tinha um plano secreto para por fim à guerra no Sudeste da Ásia.

No entanto como o plano era secreto o eleitorado não tinha condições de avaliar os méritos do plano. O argumento consistia, justamente, em “confiar” em Nixon porque ele era o presidente, o que se demonstrou um grande erro.

Infelizmente parece que aprendemos muito pouco com a nossa História, porque ainda persiste em muitos de nós a crença “messiânica” no “Salvador”, que, via de regra, é alguém oriundo de um grupo que poderia já ter feito muito e ainda não fez…

Proposta de tese – visões políticas e publicações

Introdução: Tenho percebido que pessoas sérias e com bom nível de escolaridade têm uma opinião preconcebida de publicações nacionais que tratam de política. Neste sentido pessoas que se dizem mais orientadas à esquerda, ou simpatizantes do partido do governo (PT), se dizem leitoras da revista Carta Maior, ao passo que simpatizantes do partido (PSDB) que ocupou o governo anteriormente, pretensamente orientadas ao centro-direita, são leitores da Revista Veja. As mesmas pessoas que se dizem leitores da uma das revistas informa ter ojeriza ou se recusar a ler a revista que seria “oposição” ao seu pensamento ideológico.

Acredita-se e de fato se verifica que cada uma das publicações obedece uma linha editorial ideológica voltada aos respectivos públicos. Nada obstante também é verdadeiro que tanto uma quanto outra obra têm um potencial de revelar situações que podem se demonstrar verdadeiras em relação aos partidos políticos que lhes seriam opostos. As denúncias que conduziram à condenação pelo STF de políticos do PT e partidos aliados são exemplo disso, o que também poderá ser ao se chegar ao final das ações denominadas “Mensalão do PSDB ou Tucano”, etc.

No entanto parece haver uma cegueira ou surdez para as revelações que podem ocorrer em relação aos partidos a que são simpáticos.

Hipótese: Percebe-se que crianças pequenas gostam de rever um mesmo filme, desenho, etc. indefinidas vezes, em certas circunstâncias até repetidamente. A questão que se desenha, portanto, seria se o interesse dos leitores por uma determinada obra que reforce a sua ideologia não seria decorrente desta tendência primitiva que se tem de repetir a mesma história, como que a se encontrar sempre uma justificação para as suas ideias mas, de outra parte, impedindo – criando uma surdez ou cegueira – para argumentos opostos.

Material para pesquisa: O material para pesquisa poderia ser inicialmente obras de psicologia infantil que demonstrem a regularidade e normalidade deste comportamento em crianças. Thomas Kuhn em suas diversas obras, em especial a Estrutura das Evoluções Científicas, de alguma forma reflete o que ele denomina de diálogo de surdos entre defensores de duas teses científicas contrapostas. Finalmente seria interessante uma pesquisa ou entrevista de pessoas para descobrir quantas vezes ou de que forma costumam consultar opiniões contrapostas às suas seja através da imprensa ou mesmo em épocas de eleições.

Objetivo: Os resultados de uma pesquisa neste sentido têm o potencial de orientar publicações para as formas de abordar questões políticas, influir em conceitos de neutralidade e imparcialidade na divulgação de notícias, inclusive demonstrando se é efetivamente necessário ou ignorado a instituição de espaços democráticos nas publicações, tais como “ouvir o outro lado”.

Autores possíveis: Esta pesquisa pode ser feita por estudantes de Comunicação Social, Psicologia, Sociologia, Ciências Políticas, etc.

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